Espiritualizando



Fé Racional

"Em lugar da fé cega que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inquebrantável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade. À fé é necessária uma base, e essa base é a inteligência perfeita daquilo que se deve crer; para crer não basta ver, é necessário, sobretudo, compreender. A fé cega não é mais deste século; ora, é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque ela quer se impor e exige a adição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre arbítrio." (O Evangelho Segundo o Espiritismo.)

Espiritualize-se...

Sábio é aquele que a tudo compreende e nada ignora. Deus não impôs aos ignorantes a obrigação de aprender, sem antes ter tomado dos que sabem o juramento de ensinar.

Nenhum mistério resiste à fragilidade da Luz. Conhecer a Umbanda é conhecer a simplicidade do Universo.



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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Obsessão Espiritual, Causa das Grandes Angústias Humanas

 

Obsessão espiritual, causa das grandes angústias humanas.

"Para garantir-nos contra a sua influência urge fortalecer a fé pela renovação mental e pela prática do bem nos moldes dos códigos evangélicos."

Confrades vez ou outra nos indagam por que viver na Terra é tão complicado e quase sempre tão amarga é a vida?

Digo-lhes que essa sensação eventualmente pode ser uma aspiração à felicidade e à liberdade e que, algemado ao envoltório físico que nos serve de cárcere, aplicamo-nos a inúteis esforços para dele sair.

Contudo, alguns se abatem no desencorajamento, e a todo o instante reverberam suas lamentações.

Mas é preciso resistir energicamente a essas sensações de desânimo e desesperanças, porque os sonhos para a felicidade de viver são intrínsecos a todos os homens, embora não a devamos sofregamente procurar somente na experiência material e transitória da vida terrena.

Comentando sobre a melancolia, encontramos em O Evangelho segundo o Espiritismo o Espírito François de Genève, ditando o seguinte: “Precisamos cumprir, durante nossa prova terrena, tarefas e compromissos que não suspeitamos, seja no que tange à devoção à família, ou cumprindo diversos deveres que Deus nos confiou.

Se no transcurso dessa experiência, no desempenho das tarefas, observamos os cuidados, as inquietações, os desgostos esmagarem nossos ânimos d'alma, sejamos fortes e corajosos para derrotá-los.

Avancemos e encaremos sem temor; pois que as aflições são de curta duração e devem nos conduzir para situações bem melhores no futuro”.

Há, porém, muitas amarguras que podem ter suas origens na infidelidade aos compromissos cristãos, daí a melancolia se instala no ser, do que poderá resultar um processo obsessivo.

Mas o que é uma obsessão?

Etimologicamente, o termo tem sua origem no vocábulo obsessione, palavra latina que significa impertinência, perseguição.

Para alguns estudiosos espíritas, a obsessão é percebida como um grande flagelo mundial.

Essa visão se reveste de profunda gravidade na sociedade, que atualmente está bem instrumentalizada tecnologicamente, seja no campo das comunicações e da informática, seja nas outras áreas do saber, ampliando e aprofundando as responsabilidades de cada um em face da vida coletiva.

Obsessão é uma influência maléfica na mente.

Aurélio Buarque define obsessão como sendo uma preocupação com determinada ideia, que domina doentiamente o espírito, resultante ou não de sentimentos recalcados; ideia fixa; mania.

Da mesma forma a terminologia obsessão é usada, vulgarmente, para significar ideia fixa em alguma coisa, tique nervoso, gerador de manias, atitudes estranhas etc.

Entretanto, sob o ponto de vista espírita, o termo tem um significado e interpretação mais amplos. Consubstancia-se numa influência maléfica relativamente persistente que desencarnados e/ou encarnados, tão ou mais atrasados que nós mesmos, podem exercer sobre a nossa vida mental.

Para a escola clássica da psiquiatria, obsessão é um pensamento, ou um impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo.

Psiquiatras que não admitem nada fora da matéria não podem entender uma causa oculta (espiritual), mas quando a academia científica tiver saído da rotina materialista, ela reconhecerá na ação do mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivemos uma força que reage sobre as coisas físicas, tanto quanto sobre as coisas morais.

Esse será um novo caminho aberto ao progresso e a chave de uma multidão de fenômenos mal compreendidos do psiquismo humano.

E, óbvio, não descartando a possibilidade da anomalia psicossomática, a Doutrina Espírita faz-nos conhecer outras fontes das misérias humanas, mantidas pela fragilidade moral dos seres.

Reconhecemos que o uso dos fármacos antidepressivos estabelece a harmonia química cerebral, melhorando o humor do paciente, no entanto, agem simplesmente sobre os efeitos, uma vez que os medicamentos não curam a obsessão em suas intrínsecas causas, apenas restabelecem o trânsito das mensagens neuroniais, corrigindo o funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central).

Sócrates já afirmava que "se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma”.

Por insinceridade, em nosso tênue esforço para a reforma moral, obstamos as relações equilibradas e equilibrantes conosco e com o próximo.

Toda a nossa desarmonia leva a desenvolver sintonias viciosas com outras mentes doentias, seja de desencarnados ou encarnados, o que aguça sobremaneira nosso próprio desarranjo interior, resultando daí as ingentes dificuldades para nos libertarmos das algemas em que nos aguilhoamos ante as garras do mal.

Na intimidade do lar, da família ou do Centro Espírita, do ambiente de trabalho profissional, adversários ferrenhos do pretérito se reencontram.

Convocados pelos Benfeitores do Além ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se veem possuídos uns à frente dos outros, e (re)alimentam com paixão, no imo de si mesmos, os raios tóxicos da antipatia que, concentrados, se transformam em pontiagudos dardos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a própria morte.

A obsessão espiritual é sintonia ou troca de vibrações afins.

Kardec define obsessão como a ação persistente que um Espírito inferior exerce sobre um indivíduo, apresentando caracteres variados que vão desde a simples influência moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

A obsessão é o encontro de forças inferiores retratando-se entre si.

As múltiplas facetas da obsessão

Há quadros de obsessões explodindo por todos os lados em todos os níveis, quais sejam de desencarnados sobre encarnados e vice-versa; de encarnados sobre encarnados, bem como de desencarnados sobre desencarnados

Nosso mundo mental rege a vida que nos é peculiar em todas as suas dimensões, contudo, nos encontramos ainda no início do entendimento das implicações da força mental, do significado e abrangência das construções mentais na vida.

Os obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que planejam cada passo e acompanham as presas por algum tempo, observando suas tendências, seus relacionamentos, seus ideais.

Identificam seus pontos vulneráveis (quase sempre ligados ao descaminhamento sexual) e os exploram pertinazes.

O pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir.

Quando bom e edificante, ajusta-se às Leis que nos regem, criando harmonia e felicidade, todavia, quando desequilibrado e deprimente, estabelece aflição e ruína.

A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco.

Nosso universo mental é como um céu, mas do firmamento descem raios de sol e chuvas benéficas para a vida planetária, assim como, no instante do atrito de elementos atmosféricos, desse mesmo céu procedem faíscas elétricas destruidoras.

Da mesma forma funciona a mente humana.

Dela se originam as forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células do organismo físico, mas, quando perturbada, emite raios magnéticos de elevado teor destrutivo para a nossa estrutura psíquica.

O mestre lionês redarguiu dos Espíritos, na questão 466 d' O Livro dos Espíritos, por que permite Deus que os obsessores nos induzam ao mal?

Os Espíritos responderam:

"Os seres imperfeitos são instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens na prática do bem.

Como Espírito, deveis progredir na ciência do infinito, razão por que passais pelas provas do mal, a fim de chegardes ao bem.

Nossa missão é a de colocar-vos no bom caminho e quando más influências agem sobre vós, é que as atraís, pelo desejo do mal.

Os Espíritos inferiores vêm em vosso auxílio no mal, sempre que desejais cometê-lo; e só vos podem ajudar no mal quando quereis o mal.

Então, se vos inclinardes para o assassínio, tereis uma nuvem de Espíritos que vos alimentarão esse pendor.

Entretanto, tereis outros que procurarão influenciar-vos para o bem.

Assim se restabelece o equilíbrio e ficais senhor de vós mesmos”.

Renovação moral como base para a desobsessão espiritual

O venerável Codificador, em O Livro dos Médiuns, afirma que as imperfeições morais dão acesso aos obsessores e o meio mais seguro de nos livrarmos deles é atrair os bons Espíritos pela prática do bem.

A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos!

E o que é um Espírito redimido?

É aquele que reconhece as suas limitações e, como enunciado pelo apóstolo Paulo, sente a alegria de saber-se "matriculado na escola do bem”.

Esse desarranjo psicoespiritual deverá ser eliminado da sociedade no instante em que o lídimo exemplo do amor for experimentado e disseminado em todas as direções, consoante Jesus consubstanciou e vivenciou até as agruras da morte, prosseguindo desde tempos apostólicos até os dias atuais.

O Espiritismo, desvendando a intervenção dos Espíritos endurecidos no mal em nossas vidas, lança luzes sobre questões ainda desconsideradas pelas ciências materialistas como de causa psicopatológica.

Muitas vezes procurado pelos obsidiados, o Cristo penetrava psiquicamente nas causas da sua inquietude e, usando de sua autoridade moral, libertava tanto os obsessores quanto os obsidiados, permitindo-lhes o despertar para a vida animada rumo à recuperação e à pacificação da própria consciência.

Porém, é muito importante lembrar que Jesus não libertou os obsidiados sem lhes impor a intransferível necessidade de renovação íntima, nem expulsou os perseguidores inconscientes sem fornecer-lhes o endereço de Deus.

Conclusão

Em síntese, identificamos sempre na obsessão (espiritual) o resultado da invigilância e dos desvios morais.

Para garantir-nos contra a sua influência urge fortalecer a fé pela renovação mental e pela prática do bem nos moldes dos códigos evangélicos propostos por Jesus Cristo, não nos esquecendo dos divinos conselhos do Vigiai e Orai.

Bibliografia consultada:

Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001, cap. V, item 25.

Dicionário Aurélio eletrônico; século XXI. Rio de Janeiro, Nova Fronteira e Lexicon Informática, 1999, CD-rom, versão 3.0.

Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. Dominação Telepática.

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, GB., 2003, perg. 644.

Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 19987- (Mateus 26:41; Marcos 14:38; Lucas 21:36 e I Pedro 5:8).

Revista Espírita, fevereiro, março e junho de 1864. A jovem obsedada de Marmande.

Kardec, Allan. O Que é o Espiritismo, Cap. II, Escolho dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003.

Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, item XIX, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Hoje é Dia da África - Dia 25 de Maio - Salve África!


Hoje é o dia da África e acredito que nós, pertencentes a uma religião que tem fortes influências africanas, não podemos deixar de falar um pouquinho sobre este dia e sobre este continente encantador, misterioso e onde a ancestralidade tem enorme valor.
No Brasil a escravidão durou pouco mais de 380 anos e neste período cerca de 4 milhões de negros foram trazidos ao país. Junto com eles vieram também a cultura, os dialetos,  a crença e a sabedoria deste povo que influenciou bem mais que a cor da nossa pele, mas influenciou também nossos costumes, as palavras que falamos, a comida que comemos, os remédios que preparamos e a religião que cultuamos.
Na nossa Umbanda a influência direta dos africanos está nos Orixás e em toda a energia e força que representam; está na magia que cura, que faz chover, que traz a caça e que afasta o mal; está no dendê que protege, que ativa, que queima, que revela e que tempera; está no obi e no orobô que fazem parte de nossos ritos fortalecendo, energizando e ligando o ori ao Orixá; está no atabaque que cura, que realiza, que impulsiona e faz vibrar nosso corpo e nossa alma, cada repique é um chamado, é um Orixá cobrindo seu filho de axé, é o acalento dos corações aflitos que ouvem a voz da esperança e o grito do Ancestral. É, a influência negra está em nossos corações e prova disso está no aquecer do peito, nas lagrimas que escorrem por nossos rostos e no sorriso estampado em nossa face ao falarmos com um Preto Velho.
Poucas pessoas conhecem a grandiosidade que é o continente africano, pois saibam que a África tem cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados cobrindo 20,3% da área total da Terra e mais de 800 milhões de habitantes em 57 países, representando cerca de um sétimo da população do mundo. Possui cerca de 1500 idiomas locais, regionais e nacionais, sendo as vinculadas com as nações europeias reconhecidas como oficiais.
O continente africano, além de ser o berço da humanidade, é também o das civilizações. Foi na África que ocorreu a primeira revolução tecnológica da humanidade, a passagem de caçador e coletor de frutos e raízes para a agricultura e pecuária. A agricultura africana, no vale do rio Nilo, tem cerca de 18 mil anos e, por isso, é duas vezes mais antiga que no sudoeste asiático. A pecuária apareceu há 15 mil anos.
As diferentes etnias africanas utilizaram-se de veículos diversos para propagar seu saber, mas um grande número delas optou pela transmissão oral, uma de suas marcas culturais. No entanto, as populações africanas presentes nos limites do deserto do Saara e do Sudão legaram a escrita à humanidade. Comprovou-se que todo o conhecimento científico, religioso e filosófico da Grécia antiga teve origem no Egito. Elisa Nascimento, autora do livro “Lutas africanas no mundo e nas Américas”, informa que Sócrates, Platão, Tales de Mileto, Anaxágoras e Aristóteles estudaram com sábios africanos. O saque empreendido no continente africano e a destruição da biblioteca de Alexandria encobrem um processo de apagamento e descrédito dos conhecimentos africanos tornando-os exóticos, místicos e míticos.
A técnica de cesariana foi encontrada no Mali e no Egito cerca de 4600 anos atras onde já se fazia a cirurgia para retirar tumores cerebrais, detinham também o conhecimento acerca da vacinação e farmacologia. Isso mostra que as técnicas médica e terapêuticas africanas não estavam voltadas somente para o mundo mágico, mas para conhecimento científico e observação atenta do paciente.
A astronomia era também uma área a grande conhecimento dos africanos. Há dados que informam que eles conheciam, 5 ou 7 séculos antes da Era Cristã, o sistema solar , a Via Láctea com sua estrutura espiral, as luas de Júpiter e os anéis de Saturno. Já compreendiam que o universo é habitado por milhões de estrelas e que a Lua, deserta e inabitada reflete a luz do Sol à noite.
A matemática, a geometria e a engenharia são parte do conhecimento antigo africano e as pirâmides do Egito, por exemplo, revelam isso em sua grandiosidade, formato projetado para durar e angulações perfeitas. Os yorubás também detinham um conhecimento matemático tradicional, baseado em múltiplos de 20.
Não tem como não se orgulhar desse povo, não tem como negar o sangue negro correndo em nossas veias, em nossa crença e cultura, pulsando Amor, Tolerância, Força e Coragem, atributos nada mais e nada menos que fundamentais para todo umbandista.
Foi em 25 de maio de 1963 que chefes de estados africanos, reunidos em Assis Abeba, na Etiópia, proclamaram a Organização da Unidade Africana (OUA) com o objetivo de libertar o continente das garras do colonialismo e do Apartheid. Em 2002, a OUA deu lugar à atual União Africana. Nesta data, nos 53 países independentes são realizadas atividades desportivas, culturais, conferências, exposições de arte e desfiles para comemorar o Dia da África.
E nós, é claro, comemoramos também!

Um feliz Dia da África a todos! E muito Axé !

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

Histórias e Lendas Ciganas


 “Águia voa alto, mas com as asas cortadas, não passa de galinha grande.” (provérbio cigano)

Em 1987 eu viajava pelo sertão da Bahia, onde colhia material de estudo e reencontrava alguns irmãos da grande tradição da Jurema Sagrada (Catimbó). No povoado de Quiçé conheci Seu Manuel Ferrer, um raizeiro e benzedor.
Tio Manolo, como também era chamado, nasceu cigano de mãe e vaqueiro de pai, como dizia. Depois de uma vida atribulada, mergulhou sertão adentro, onde aprendeu os mistérios das raízes com Dona Maria Tiana, uma santa curandeira.
O contato com este personagem magnífico, me proporcionou as duas lendas que aqui reproduzo. Como são materiais inspiracionais, recomendo que os leitores não se preocupem com o sentido histórico ou a legitimidade cultural. Não é com a mente que as lendas são compreendidas, é com o coração.

O CIGANO JACÓ E O NAZARENO
“O galo pode cantar quanto quiser, mas nunca porá ovos”. (provérbio cigano)

- Jacó era um ferreiro cigano e passava por Jerusalém no tempo de Jesus. Sua comitiva estava parada perto da cidade santa, quando o Mestre foi preso e julgado. Os romanos preparavam o suplício e precisavam de gente para trabalhar. Nenhum carpinteiro ou ferreiro judeu, quis fazer a cruz ou fundir os cravos de ferro. Daí, que os carrascos romanos obrigaram Jacó, sob ameaça da espada, a fazer os três cravos da crucificação, dois para as mãos e um para os pés. Jacó sabia que Jesus era um justo, por isso amaldiçoou os romanos, predizendo a destruição de Roma por sua ganância e violência. Os algozes também obrigaram ele a pregar o Mestre no madeiro. Ele fez isto chorando e pedindo ao Mestre perdão. O nazareno, envolto na dor, disse ao cigano que não se preocupasse, pois o seu povo era nobre e fiel. Disse também que seriam todos agraciados, pela presença de uma virgem que viria do mar. Desde então, os ciganos passaram a esperar pela virgem e caminhar por todo o canto do Oriente e do Ocidente. Até que um dia, apareceu Santa Sara, a virgem negra. Era o dia 25 do mês de maio. Por isso, os ciganos são devotos de dois santos: a prometida Santa Sara e São Jorge, o patrono dos ferreiros.

EXÚ LERÚ O MOURO CIGANO
“Cachorro correndo sozinho se acha o mais veloz do mundo”. (provérbio cigano).

- Dona Maria me contou que o Exú Cigano, foi um cigano mourisco que se chamava Lerú. Ele chegou ao Brasil, junto com outros escravos da África e por aqui viveu. Como sabia ler, foi vendido para o dono de grandes armazéns, que o colocou como chefe. Muito esperto, Lerú começou a ajudar muita gente, que como ele, estava naquela triste situação. Ajudou tanto, mesmo correndo risco de vida, que um velho Tata africano lhe iniciou no culto. Ele foi o primeiro cigano a entrar na religião dos negros ! Então, depois que desencarnou, passou a trabalhar nas rodas e reuniões que ainda eram escondidas. Dizem que a primeira vez que deu seu nome, foi numa gira no Rio de Janeiro. Daí ganhou o apelido de Exú Cigano.
Seu Manuel fazia a distinção entre os espíritos ciganos da “Direita” e os exús ciganos da “Esquerda”. Para ele, Exú Cigano era o líder de outros ciganos que passaram pela Jurema ou outro culto afro-brasileiro em vida.
Na Jurema ou Catimbó, o líder dos espíritos ciganos é Mestre João Cigano. Perguntei a Tio Manolo se ele conhecia outros nomes de espíritos ciganos, chefiados por Exú Cigano.
- Tem o Exú Cigano do Oriente, Exú Cigano do Circo, Exú Cigano Calão (da Tribo Calon), Exú Cigano da Praça e Seu Giramundo Cigano (não confundir com o Exú Giramundo).
Segundo ele, tem também as Pombas Giras Ciganas, com suas histórias, lendas e magias. Porém, vamos deixar este interessante tema para outra edição do Jornal.

Salve o Povo Cigano !

Por Edmundo Pelizari - Publicado no JUS (Jornal de Umbanda Sagrada)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Hoje é Dia de Santa Sara - 24 de Maio - Padroeira do Povo Cigano


Considerada Padroeira do Povo Cigano, a história da santa remonta ao início do cristianismo. Os primeiros cristãos eram perseguidos pelos romanos e Sara, uma escrava egípcia de propriedade de José de Arimatéia foi capturada juntamente com as três Marias (Maria Madalena, Maria Salomé e Maria Jacobé).

As quatro mulheres foram colocadas em um barco que foi lançado ao oceano, sem remos e sem provisão. Por um milagre, após mais de 30 dias vagando sem rumo pelo mar, o barco aportou em Laguendoc, no Sul da França, na Ilha de Camargue, um local que seria conhecido mais tarde como Saintes Maries-de-La Mer ( traduzindo Santas Marias que vieram do Mar ).

Um grupo de ciganos que vivia por ali, socorreu as quatro mulheres e elas, em troca, levaram ao grupo os ensinamentos de Jesus, trazendo para eles a doutrina cristã.

Após a partida das chamadas "Três Marias", conta a história que Sara continuou convivendo com os ciganos e passou a ser chamada de Sara Kali, a palavra Kali significa "negra" na língua romanê.

 
Esta foto é original , foi tirada de Santa Sara  em sua cripta na frança.

Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Ocorre procissão e festejos com banhos no mar. A imagem de Santa Sara é vestida de azul, rosa, branco e dourado, adornada de flores, jóias e lenços coloridos e levada para as águas do mar. Após o banho de mar, a imagem, volta ao altar onde os que participaram da procissão possam pedir suas graças.
Muitos buscam nos olhos de Santa Sara a obtenção das graças, pois nos olhos de Santa Sara, tudo está contido: a força de Deus, a força da mãe, a força do amor da irmã e da mulher, a força das mãos, a energia, o sorriso, a magia do toque e a paz. E assim, todos que buscam graças no seu olhar, retornam sempre aos pés de Santa Sara para agradecer.

Embora seja uma santa da igreja católica canonizada em 1712, até hoje a própria Igreja omite o seu culto.

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.

 
Na Umbanda, a linha dos ciganos é uma linha independente.  Vêm nessa linha espíritos que estão há milênios esperando por uma oportunidade de ensinar o caminho que leva à Deus e trabalharem na caridade, através da incorporação nos médiuns da Umbanda. Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual; se apresenta também em rituais do tipo mesa branca, no Espiritismo baseado em Allan Kardec e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza. Imenso é o número de espíritos ciganos que alcançaram lugar de destaque no plano espiritual e são responsáveis pela regência e atuação em mistérios do plano de luz e seus serviços, carregando a mística de seu povo como característica e identificação.
 
Os ciganos, logo no início de suas aparições na Umbanda, eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exus. Tal confusão se dava porque algumas ciganas se apresentam como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exus e Pombas-Gira. Hoje, diante da manifestação do Povo Cigano e por estar o culto a eles mais difundido, sabe-se que essas entidades têm sua função e espaço próprio no plano espiritual e dentro das giras dos terreiros, tendo dias específicos para se manifestarem.
 
O Povo Cigano tem uma vibração semelhante a da Linha do Oriente, prestando serviço no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual. Como outras linhas de trabalho da Umbanda existem entre eles muitos magos e curandeiros, já que aprenderam a magia e a arte da cura durante seus processos reencarnatórios, e hoje, como entidades espirituais, visam fazer o bem ao próximo, trabalhando na caridade.

Suas manifestações, seja através da vibração ou da incorporação propriamente dita, são de muita alegria e alto astral, deixando em seus médiuns uma sensação de bem-estar. As saias das ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas, medalhas, são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos ciganos em geral. Cada cigano tem sua cor de vibração no plano espiritual e uma outra cor de identificação é utilizada para velas em seu louvor.

Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces e frutas. Para seu culto deve ser reservada uma mesa ou altar em separado ao congá da casa. É muito comum usarem, em suas consultas, moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua para executarem seus trabalhos.

Por trabalharem também com as energias do Oriente, utilizam-se de cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro elementos da natureza. Cheios de simpatias espirituais, os espíritos ciganos trabalham para a cura de doenças da alma, olhando profundamente nos olhos dos consulentes para enxergarem o que lhes vai no espírito com a intenção de ajudarem naquilo que lhes for permitido.

Têm o Cigano Wladimir como um dos grandes chefes de tribo deste povo.

Sua saudação, na Umbanda, é Arriba e Optchá!!! 


Salve o Povo Cigano!



Fontes:

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Amigos Ciganos



Muitos de nós sabemos histórias sobre o povo cigano.

Alguns de nós inclusive já ouvimos histórias contadas com o objetivo de afastar-nos o máximo possível “deste tipo de gente”: ciganos roubam crianças e os pertences de outras pessoas, mulheres ciganas seduzem os maridos de mulheres direitas, mulheres ciganas fazem magias para o mau, etc.

Curiosamente também ouvimos histórias sobre pessoas negras, pobres, gays, entre outras minorias discriminadas através das gerações.

Pensando um pouco no mundo em que vivemos é importante que saibamos que ainda existem ciganos por aí, sofrendo muitos preconceitos. Quem sabe um destes não seria um de nós mesmos? Ainda somos discriminados por sermos Umbandistas. Que temos de tão diferente? Divulgam por aí histórias que “macumbeiros sacrificam crianças”, “mulheres macumbeiras usam feitiço para roubar o marido de mulheres direitas”, “macumbeiros fazem feitiço para o mau”. Acredito que temos muito mais em comum com o povo cigano do que um dia pudemos imaginar.

Um povo com tantas semelhanças com a Umbanda não poderia ter encontrado seara mais adequada para o trabalho espiritual, pois desde os primórdios o povo cigano já acreditava na comunicação com forças astrais, na manipulação dos elementos da natureza e na força da oração.

Hoje em dia não são todas as casas Umbandistas que realizam giras de povo cigano. Algumas até chamam ciganos junto com os exus, o que não é adequado uma vez que o trabalho dos ciganos do oriente, por exemplo, demanda manipulação de energias diferentes daquela usada pelos exus para o trabalho espiritual. Porém as casas que estão abertas a esse tipo de trabalho único encontram muita satisfação em tê-los como parceiros na evolução espiritual e tratamento de seus consulentes.

A diferenciação do trabalho também se expressa na diferenciação da manifestação. Muitos ciganos trabalham com uma incorporação muito suave. Outros trabalham ainda intuindo seus médiuns, tanto dentro quanto fora do terreiro. É inclusive motivo de angústia para alguns médiuns toda essa sutileza, pois muitas vezes se perguntam de onde estes pensamentos e ações estariam vindo.

Temos muito que aprender com o povo cigano.

O valor da liberdade. Ela é tão poderosa que nem mesmo a morte é capaz de detê-la.

O valor do respeito. Os mais velhos são os mais sábios.

O valor da alegria. A música e a dança embalam noites de nascimentos e de mortes nos acampamentos. Todas as fases da vida devem ser celebradas.

O valor da comunidade. Devemos estar unidos pelo que acreditamos e partilhar o que temos.

O valor da desconfiança. Não devemos nos entregar por inteiro a partir de um sorriso. Devemos sorrir de volta, mas sempre observando para saber o que está por vir.

O valor da magia. Não me refiro à magia enquanto branca ou negra, mas sim enquanto forma de manipulação de elementos dados a nós pelo criador. Elementos estes que estão repletos de energia do universo que pode ser usada para nos ajudar.

Toda essa sutileza me faz lembrar que os ciganos são o povo do vento.

O vento sopra livre na copa das árvores, possui elementos que alimentam o fogo, porém também pode apagá-lo, pode passar sem ninguém ver, mas não passa sem se fazer sentir. O vento traz perfume, traz fumaça para nos alertar, e quando pára de soprar... nos sufoca.
Não consigo mais ver a Umbanda sem os amigos ciganos.

Salve sua linda falange.

Arriba povo cigano!

Optchá!


Por Minha Amiga e Irmã: Roberta Pereira de Paula da Cigana Dara. Obrigado Irmã, por nos presentear com esse belíssimo Texto!

Ouça os Pontos da Linha de Esquerda da Umbanda

A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho. Caboclo Índio Tupinambá.

Caboclo Índio Tupinambá

Caboclo Índio Tupinambá
"...Onde quer que Você esteja... meu Menino... Estarei Sempre com Você... Anauê!"

Luz Crística

Pense Nisso...

"Estudo, requer meditação. A meditação leva a conclusões. E as conclusões fazem com que as pessoas modifiquem os seus hábitos e suas atitudes" – Dr. Hermann (Espírito) por Altivo Pamphiro (Médium)

Obras Básicas da Doutrina Espírita - Pentateuco Espírita

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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